Florestas energéticas: potencial da biomassa dedicada no Brasil

O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) tem se dedicado a avaliar alternativas que permitam ao país alcançar uma matriz elétrica livre de combustíveis fósseis até 2050. Dada a crescente penetração de fontes renováveis variáveis - solar e eólica – aliada à necessidade de evitar novas hidrelétricas, especialmente na Amazônia, um importante desafio que se impõe é a identificação de alternativas de geração elétrica que aumentem a flexibilidade do Sistema Interligado Nacional.

Uma das soluções tecnologicamente possíveis é a ampliação da participação na matriz elétrica de usinas termelétricas não fósseis movidas a biomassa proveniente de florestas plantadas, de forma ambientalmente segura e socialmente justa. A entrada destas usinas no sistema interligado pode permitir que as usinas hidrelétricas, com reservatórios existentes, venham a operar de modo a garantir a flexibilidade necessária para acomodar as variações de outras fontes – eólica e solar. Além disso, esta alternativa de geração pode contribuir para que o país avance no atendimento dos compromissos estabelecidos na sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) ao Acordo de Paris, notadamente no que se refere às metas de ampliação da participação de fontes renováveis na geração elétrica e de recuperação de áreas degradas. Diante desta perspectiva, nos dedicamos, no último ano, a investigar esta alternativa de geração, principalmente no que se refere a formação dos custos da madeira e da energia elétrica, bem como ao potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Este estudo não teve a ambição de formular uma política pública orientada para a expansão da geração de energia elétrica a partir de biomassa dedicada. Tal tarefa exigiria ainda a investigação de outros aspectos, como o planejamento territorial e ambiental, consideração dos vários benefícios associados – atributos sociais e ambientais - frente aos custos associados à sua implantação, etc. No entanto, esperamos que o estudo contribua com o necessário debate acerca do papel estratégico que esta fonte de energia pode ter no planejamento do sistema elétrico brasileiro.


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