IEMA lança Plataforma de Energia e estudos sobre termoelétricas

Dados divulgados nesta terça, 22, apontam que termoelétricas chegam a consumir volume de água que abasteceria cidades de até 200 mil habitantes

Motivado pelo crescente aumento da participação das termoelétricas na geração de eletricidade do país, o IEMA vem se dedicando nos últimos dois anos a estudar os impactos dessas usinas no meio ambiente. O resultado das análises é uma série de notas técnicas sobre termoeletricidade e uma Plataforma de Energia online acessível ao público que foram lançadas nesta terça-feira (22) durante café da manhã na sede do Instituto.

A Plataforma é uma iniciativa inédita no país que reúne informações sistematizadas e integradas sobre as 88 termoelétricas movidas a combustível fóssil com maior geração de energia elétrica (70 em operação e o restante em construção ou que estão registradas na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Elas representam 78% das usinas termoelétricas fósseis brasileiras em operação. A plataforma do IEMA disponibiliza mapas interativos que permitem localizar cada uma das usinas e acessar detalhes técnicos do projeto, indicadores de uso da água, dados de licenciamento e de financiamento.

A plataforma pode ser acessada aqui: usinas.energiaeambiente.org.br

Maioria das térmicas estão instaladas em áreas críticas de escassez hídrica

Cruzamentos de dados da Plataforma de Energia e a Nota Técnica de Água indicam que as maiores usinas termoelétricas fósseis brasileiras causam grande impacto no abastecimento de água e na qualidade do ar nas regiões onde estão instaladas. Durante o seu processo de resfriamento, elas demandam, sozinhas, volumes tão grandes de água que poderiam abastecer municípios inteiros. A térmica de Pecém I, no Ceará, por exemplo, consome tanto quanto cidades de até 200 mil habitantes, do tamanho de Rio Claro ou mesmo do bairro paulistano de Itaquera. O problema é que 34% desses empreendimentos são resfriados por sistemas que consomem a maior quantidade de água e 62,9% deles estão localizadas em regiões em situação crítica ou preocupante quanto aos níveis de escassez de recursos hídricos.

Dificuldade de acesso às informações

No decorrer dos estudos técnicos e do desenvolvimento da Plataforma, o IEMA teve dificuldade de acesso a informações das usinas termoelétricas, dos respectivos processos de licenciamento e outorga. No que diz respeito à configuração das usinas, por exemplo, não conseguimos identificar o sistema de resfriamento de 16 empreendimentos. E, em muitos casos, tivemos de recorrer ao googlemaps para tanto. Das 88 usinas, conseguimos acessar os EIAs de apenas 33. Em alguns casos, como os empreendimentos eram muito antigos, ou não havia EIA ou estes existiam apenas em papel.

Verificamos que nem todos os órgãos ambientais e de gestão de recursos hídricos informam os dados de licenciamento (como as licenças expedidas) e as outorgas emitidas. Por exemplo, em alguns casos, estas informações estão apresentadas de forma agregada, não sendo possível identificar o dado específico dos empreendimentos que foram alvo de nossa pesquisa.

Impactos das térmicas podem ser mitigados

Nas Notas Técnicas de Água e de Emissões, o IEMA recomenda aos órgãos responsáveis alternativas tecnológicas para minimizar o consumo de água durante o processo de resfriamento das termoelétricas e reduzir as emissões de poluentes e gases de efeito estufa.
As Notas Técnicas, assim como o Informe Técnico que sintetiza as principais conclusões e recomendações destes estudos, podem ser acessadas integralmente nos links abaixo ou em nossa biblioteca.

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