Plataforma da qualidade do ar


Saiba mais um pouco sobre os poluentes do ar

A poluição do ar, especialmente nas grandes cidades, tem sido associada ao agravamento de doenças respiratórias, cardiovasculares e neurológicas, especialmente em crianças, idosos e portadores de doenças crônicas. Estudos indicam também a correlação entre a exposição a alguns poluentes e a ocorrência de diferentes tipos de câncer (WHO, 2000 e 2006; California Air Resources Board, 2011 e Brunekreef et al., 2012, Olmo et al., 2011, Miranda et al., 2012). Os impactos dos poluentes presentes no ar sobre os ecossistemas também merecem atenção, já que sua deposição pode ocasionar a acidificação das águas da chuva e da poeira, contaminando os corpos d’água, seus biomas, o solo e as plantas, levando à redução da capacidade fotossintética (MassDEP,2011). São impactos que também redundam em efeitos negativos sob a perspectiva econômica e social. Basta mencionar a maior vulnerabilidade das populações carentes, o aumento dos custos dos sistemas de saúde com as internações hospitalares e a queda da produtividade agrícola, dentre outros exemplos (apud IEMA, 2014).
Isso remete a uma definição genérica, que considera-se poluente qualquer substância presente no ar e que, pela sua concentração, possa torná-lo impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, causando inconveniente ao bem estar público, danos aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade (CETESB, 2014).
Uma vez que a variedade das substâncias que podem ser encontradas na atmosfera é muito grande, torna-se difícil estabelecer uma classificação para as mesmas. Para tornar isso mais fácil, os poluentes são divididos em duas categorias:
Poluentes primários: aqueles emitidos diretamente pelas fontes de emissão.
Poluentes secundários: aqueles formados na atmosfera através da reação química entre poluentes primários e componentes naturais desse meio.
Já as substâncias poluentes podem ser classificadas das seguintes formas:

Compostos Halogenados Metais Pesados Material Particulado Oxidantes Fotoquímicos
HClHF cloretos
fluoretos
PbCdAs
Ni
e outros
Mistura de compostos no estado sólido ou líquido O3
Formaldeído
Acroleína
PAN
etc
Compostos de Enxofre Compostos de Nitrogênio Compostos Orgânicos Monóxido de Carbono
SO2
SO3
Compostos de Enxofre Reduzido:
(H2S, Mercaptanos, Dissulfeto de carbono,etc)
sulfatos
NONO2NH3
HNO3
nitratos
Hidrocarbonetos
Álcoois
Aldeídos
Cetonas
ácidos orgânicos
CO

Fonte: CETESB, 2014
Ainda que a presença de todos esses poluentes sejam igualmente preocupante, nem todos são monitorados o tempo todo e em qualquer lugar. A medição sistemática da qualidade do ar é restrita a um número de poluentes, definidos em função de sua importância e dos recursos disponíveis para seu acompanhamento. Isso significa que um dado grupo foi escolhido e adotado universalmente, servindo como poluentes indicadores de qualidade do ar, tanto pela frequência de sua ocorrência, quanto pelos níveis de exposição humana e potenciais efeitos já citados.
São eles: Material Particulado (MP), Dióxido de Enxofre (SO2), Monóxido de Carbono (CO), Oxidantes fotoquímicos como o Ozônio (O3), Hidrocarbonetos (HC) e Óxidos de Nitrogênio (NOX).
Partículas Totais em Suspensão (PTS)
De maneira simplificada podem ser definidas como aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor que 50 µm. Uma parte destas partículas é inalável e pode causar problemas sérios à saúde, outra parte pode afetar desfavoravelmente a qualidade de vida da população, interferindo nas condições estéticas do ambiente e prejudicando as atividades normais da comunidade.
Partículas Inaláveis (MP10)
Podem ser definidas de maneira simplificada como aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor que 10 µm. Dependendo da distribuição de tamanho na faixa de 0 a 10 µm, podem ficar retidas na parte superior do sistema respiratório ou penetrar mais profundamente, alcançando os alvéolos pulmonares.
Partículas Inaláveis Finas (MP2,5)
Podem ser definidas de maneira simplificada como aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor que 2,5 µm, e provêm, sobretudo da queima de combustíveis fósseis. Devido ao seu tamanho diminuto, penetram profundamente no sistema respiratório, podendo atingir os alvéolos pulmonares.
Fumaça (FMC)
Está associada ao material particulado suspenso na atmosfera, e como o MP10 e MP2,5, está fortemente associado aos processos de combustão, tendo sua maior fonte os veículos automotores. O método de determinação da fumaça é baseado na medida de refletância da luz que incide na poeira (coletada em um filtro), o que confere a este parâmetro a característica de estar diretamente relacionado ao teor de fuligem na atmosfera.
Dióxido de Enxofre (SO2)
É um gás tóxico e incolor que pode ser emitido por fontes naturais como vulcões ou por fontes antropogênicas, e que pode reagir com outros compostos na atmosfera formando material particulado de diâmetro reduzido. A emissão antropogênica é causada pela queima de combustíveis fósseis que contêm enxofre em sua composição, tendo nas atividades de geração de energia, uso veicular e aquecimento doméstico as que apresentam emissões mais significativas. Entre os efeitos à saúde, podem ser citados o agravamento dos sintomas da asma e outros problemas respiratórios. Tais óxidos são precursores da formação de material particulado secundário, e no ambiente, podem reagir com a água na atmosfera formando chuva ácida.
Monóxido de Carbono (CO)
É um gás inodoro e incolor, formado no processo de queima de combustíveis. Sua principal fonte de emissão está, portanto, nos processos de combustão que ocorrem em condições não ideais, em que não há oxigênio suficiente para realizar a queima completa do combustível. A maior parte das emissões em áreas urbanas são decorrentes dos veículos automotores. This is an odorless, colorless gas formed in the fuel burning process. Its main emission source is therefore in processes of combustion that occur under non-ideal conditions, where there is not enough oxygen to achieve the complete burning of the fuel. Most emissions in urban areas result from motor vehicles.
Este gás tem alta afinidade com a hemoglobina no sangue, substituindo o oxigênio e reduzindo a alimentação deste ao cérebro, coração e para o resto do corpo, durante o processo de respiração. Em baixa concentração causa fadiga e dor no peito, em alta concentração pode levar a asfixia e morte.
Ozônio troposférico (O3)
Poluente secundário, ou seja, não é emitido diretamente, mas formado a partir de outros poluentes atmosféricos, e altamente oxidante na troposfera (camada inferior da atmosfera). O ozônio é encontrado naturalmente na estratosfera (camada situada entre 15 e 50 km de altitude), onde tem a função positiva de absorver radiação solar, impedindo que grande parte dos raios ultravioletas cheguem a superfície terrestre.
A formação do ozônio troposférico ocorre através de reações químicas complexas que acontecem entre o dióxido de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis, na presença de radiação solar. Tais poluentes primários que tem como principais fontes de emissão a queima de combustíveis fósseis, volatilização de combustíveis, criação de animais e a agricultura.
Entre os efeitos à saúde estão o agravamento dos sintomas de asma, de deficiência respiratória, bem como de outras doenças pulmonares (enfisemas, bronquites, etc.) e cardiovasculares (arteriosclerose). Longo tempo de exposição pode ocasionar redução na capacidade pulmonar, desenvolvimento de asma e redução na expectativa de vida. Além de efeitos sobre a saúde humana, o O3 apresenta também é considerado um agente climático de vida curta, contribuindo para p aquecimento global.
Hidrocarbonetos (HC)
São gases e vapores resultantes da queima incompleta e evaporação de combustíveis e de outros produtos orgânicos voláteis. Diversos hidrocarbonetos como o benzeno são cancerígenos e mutagênicos, não havendo uma concentração ambiente totalmente segura. Participam ativamente das reações de formação da “névoa fotoquímica”.
Óxido de Nitrogênio (NOx) e Dióxido de Nitrogênio (NO2)
Formados durante processos de combustão, portanto, em grandes cidades, os veículos geralmente são os principais responsáveis pela emissão dos óxidos de nitrogênio. O NO, sob a ação de luz solar se transforma em NO2 e tem papel importante na formação de oxidantes fotoquímicos como o Ozônio troposférico.
As fontes de (NO2) podem ser tanto naturais (vulcanismos, ações bacterianas, descargas elétricas), quanto antropogênicas (processos de combustão em fontes móveis e fixas). As emissões naturais são em maior escala do que as provocadas pelo homem, porém, em razão de sua distribuição sobre o globo terrestre, tem menor impacto sobre as concentrações nos centros urbanos.
Altas concentrações de (NO2) podem ter o efeito de levar ao aumento de internações hospitalares, decorrente de problemas respiratórios, problemas pulmonares e agravamento à resposta das pessoas sensíveis a alérgenos. No ambiente pode levar a formação de smog fotoquímico e a chuvas ácidas. O particulado pode também reduzir a visibilidade na atmosfera.